Utilizadores diferentes necessitam de interfaces diferentes.
Mesmo que, comummente, a introdução de uma interface gráfica numa aplicação interactiva seja vista como uma mais valia, a realidade pode ser algo distinta. A forma como está desenhada pode ter um efeito muito importante sobre as possibilidades de interacção. Especialmente no caso de utilizadores avançados que utilizam a aplicações como ferramenta de trabalho, o desenho da interface pode dar lugar a diferentes níveis de produtividade. Em determinadas aplicações os utilizadores pouco experientes tendem a trabalhar utilizando o rato, os menus e a barra de ferramentas, enquanto os utilizadores experientes utilizam teclas de atalho, os que permite um aumento de produtividade. Hoje, no processo interactivo de construção da interface, deve ter-se em conta a necessidade da adaptação da interface aos vários tipos de utilizadores.
Um dos aspectos mais tidos em conta nesta campo é a usabilidade. Conceito que está ligado com os conceitos de produtividade e satisfação do utilizador e vai para além do conceito de interface amigável, considerada no início das interfaces gráficas. Para a sua aplicação foi necessário desenvolver metodologias de desenho de interfaces orientadas ao utilizador e, sobretudo, sistemas para avaliar a usabilidade das interfaces ao longo do seu ciclo de desenvolvimento.
Hoje em dia, é importante adaptar a interface a um número alargado de utilizadores, dada a sua heterogeneidade. Isto implica a existência de utilizadores com experiências e capacidades distintas. Há, também, a considerar os utilizadores com incapacidades físicas, sensoriais ou cognitivas. Estes utilizadores podem ser beneficiados com a implementação da informática nas suas vidas, de forma a permitir a atenuação das suas incapacidades.
Durante bastante tempo as acessibilidades à informática por este tipo de utilizadores era realizada mediante extensões dirigidas a necessidades concretas de uma pessoa ou de um grupo restrito de pessoas. A par do público-alvo destes artefactos ser reduzido, uma evolução dos dispositivos ou programas tornavam obsoletas as extensões dirigidas a utilizadores particulares. Neste sentido utilizam-se métodos e técnicas de design de interacção mais globais ou abrangentes permitindo, deste modo, encontrar soluções mais duradoiras e um grupo de utilizadores mais abrangente.
Nos últimos anos, está muito em voga o design para todos, uma filosofia que trata de ter em conta as necessidades dos utilizadores desde as primeiras fases do design de interacção, o que poderá evitar futuras necessidades de encontrar soluções ad hoc para utilizadores especiais. No entanto devemos ter presente a impossibilidade de ter o design apto a todos os utilizadores. Continuarão a existir sempre casos de utilizadores especiais.